quarta-feira, 30 de junho de 2010

Despedida

Ele nunca conseguiu sorrir nesse tipo de momento. Ela soube de um jeito único olhar pra ele.

Como deveria sempre fazer o barulho do freio, naquela tarde o carro dele não fez. Apenas quebrou alguns galhos e o barulho de folha seca conseguiu envergonhar os dois ali, cada um dentro de seus pensamentos. Ele pensava no rigor do próximo gesto. Ela enrolava o cabelo, já em dúvida.

Enquanto alguns e algumas e algo passava, ficou contudente a falta de coragem dos dois. E tinha coragem, ou tinham. Conseguiam sempre ver impossibilidade no que aconteçia. O susto foi grande o suficiente pra ficarem mudos, assim como mudo era o barulho do vento, a música e as palavras agora.

Foram dois minutos de estudo intimo. Ele tão moralista como no stand-up que assistiram ontem. E ela tão pragmática como no seriado que perdeu ontem. A respiração profunda dele e o roer de unhas dela tão categorico e milimétrico que nenhuma manicure concertaria o efeito. " - E nem terapeuta? E nem minha mãe?"

O rosto dos dois vira-se a direita quando um senhor passa com possíveis netos sorrindo e satisfeito da felicidade da vida.Isso os constrange, sem dizer que os desorienta.

A única frase de três palavras que ele insistia em repetir apartir das férias de meio de ano, implorava sentido e força. Desse tempo conseguiu recolher sentimento que mesmo no contráditório mundo do inverso conseguisse fazer sentido e todo propósito até pra moral
que o velho lhe sussurava inconscientemente com aquela expressão. Feliz. Que susto!

A onda foi mais forte que ela e no choque, bagunça, espuma e calmaria despejou lágrimas dos olhos. Três giros longos e intensos foram produzidos no estômago, a garganta fechou e o turbilhão subiu, subiu e subiu. Boca semicerrada e o nariz dilata. Nem tinha tempo pro suspiro.

Chorou.

Aproximando, inclina-se muito pra se proteger, com movimentos envolve e mistura mãos com os cabelos longos dela. A lei da gravidade do corpo dele a desarma e a conquista, e se derrama em derrota e fúria.


"E como se o barulho existente no ar e envolto neles se discipasse, produzem frases que no momento tropeçam dente por dente."

- Você me fará muita falta.

- Me contento com a falta de mim pra ti, e a presença de ti em mim.

Beijo, olho no olho, sorriso de drama. Abraço, aceno.