Me explico então.
Não ouvia música, não dialogava, não teclava, não criava. Existia. E se pensar logicamente estou existindo, quero saber quem criou a lista de tarefas, pra desejar sua morte fria e dolorosa sem choro e muitos sorrisos. (um, dois ou três gritos em silêncio de ira) Executo minhas tarefas, com a velocidade que o cérebro consegue e na intensidade que meu coração se devota a ela.
A música vai e volta no buraco do ouvido, e nem sequer sussurra-la é necessário. Fechar o olhos e como sempre coça-los, limpar o óculos um bocejo e um blasfemia, seria o correto. Joelhos gritam, pro sistema nervoso. Chega no cérebro. Mensagem enviada. Movimento feito.
Respiro, olho no espelho e parodio inúmeros caminhos possíveis de vida feliz. Feliz? A motivação, aceitação e superação pra abrir a porta e olhar com olhos de "sim sou ser humano" a todos é necessário, sacia a pena deles e a minha luxúria. PAM, pam pam! Fisgado em pleno momento de divertimento sincero. E me coloco de novo, no fundo da sociedade e das lições do dia, e assim sempre rápido e direto sugiro minha revolta. Os caras pálidas abaixam a cabeça, como se visse ali um abandonado, faminto, viciado sem futuro.
Silêncio. (as madeiras mexem pra não morrer ali o som)
Enfrento a surpresa com olhos de deboche, renúncia a ela e total desgosto do show que ela apresentou por eles.
A surpresa sempre me deixou, infeliz. Eu não consigo ter preparação pra ser espontâneo, se nunca consegui viver sem pensar. E se pensar é existir. Existo por queimar neurônios e produzir deles efeitos e ações aprovadas por mim, sem ação e reação.
Ação e reação é pra quem não vive. Revive. Levanta, olha e fala.

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